Blogueiro é condenado por publicar notícias falsas sobre Sergio Moro
Blogueiro é condenado por publicar notícias falsas sobre Sergio Moro
Pena privativa de liberdade foi substituída por uma restritiva de direitos
Redação VN
redacao@varelanoticias.com.br
Os desembargadores da 5ª Turma do Tribunal
Regional Federal da 3ª Região condenaram o blogueiro Miguel Baia Bargas,
editor do blog Limpinho & Cheiroso, por calúnia e difamação contra o
juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba. O magistrado é o
responsável pela Lava Jato na primeira instância. De acordo com a
denúncia, em 2015, o blog atribuiu a Moro um suposto vínculo com o PSDB e
o envolvimento do juiz em desvios de R$ 500 milhões.
O título do post era “Paraná: quando Moro
trabalhou para o PSDB, ajudou a desviar R$ 500 milhões da prefeitura de
Maringá”. O blogueiro foi condenado a 10 meses e 10 dias de detenção em
regime inicial aberto e 15 dias-multa. A pena privativa de liberdade foi
substituída por uma restritiva de direitos. A informação foi antecipada
pelo site jurídico Migalhas e confirmada pelo jornal O Estado de S.
Paulo. A decisão do TRF-3 foi publicada no dia 23 de março.
O desembargador André Nekatschalow, relator
da ação no TRF-3, entendeu que o texto publicado não retratou a
realidade ao ligar Moro ao trabalho de advogado e ao PSDB, nem ao
atribuir relações entre o juiz e o doleiro Alberto Youssef em processo
penal no qual Moro atua.
“É manifesta a ofensa à honra do juiz
federal Sérgio Fernando Moro, a configurar a prática de crimes tanto
pela referência direta quanto indireta ao magistrado”, assinalou o
desembargador do TRF-3. “A confiança do cidadão no Poder Judiciário está
vinculada à atuação do juiz, cuja conduta deve se pautar pela
imparcialidade, independência, integridade pessoal e profissional, sendo
absolutamente vedado o exercício de atividade político-partidária”,
escreveu.
Nekatschalow observou que a notícia que
atribui a Moro vinculação a partido e a réu da Lava Jato, em que exerce a
jurisdição, “claramente ofende sua reputação e, ao imputar-lhe
falsamente crimes, patenteia o propósito de ofender sua honra, a
caracterizar as práticas de difamação e calúnia”. Na ação, Moro disse
que “nunca trabalhou para o partido dos tucanos, nunca auxiliou ou
advogou para a prefeitura de Maringá e nunca auxiliou em desvio de
dinheiro público”.
Defesa
Em nota, o advogado João Vicente Augusto
Neves informou que seu cliente “apenas reproduziu uma matéria” de outro
site “com pequena modificação do título da matéria, que não lhe alterou a
substância, principalmente, pelo fato do texto da matéria ter sido
reproduzido fielmente”.
A defesa disse que o autor original da
matéria foi condenado a pena menor, um dos motivos pelos quais estão
sendo preparados “os competentes recursos contra a decisão”. “A
diligência em checar as informações publicadas exigidas do blog Limpinho
e Cheiroso, nos termos da decisão, desborda do razoável, resvalando em
afronta às garantias constitucionais.”
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