Bahia terá mais que dobro de feriadões em 2018; veja quando 'serão' os 9
Bahia terá mais que dobro de feriadões em 2018; veja quando 'serão' os 9.
Confira o calendário completo de feriados em 2018:
1º de janeiro - Confraternização Universal (segunda-feira)
12 de fevereiro - Carnaval (segunda-feira)
13 de fevereiro - Carnaval (terça-feira)
14 de fevereiro - Quarta-Feira de Cinzas
30 de março - Paixão de Cristo (sexta-feira)
21 de abril - Tiradentes (sábado)
1º de maio - Dia Mundial do Trabalho (terça-feira)
31 de maio - Corpus Christi (quinta-feira)
2 de Julho - Independência da Bahia (segunda-feira)
7 de setembro - Independência do Brasil (sexta-feira)
12 de outubro - Nossa Senhora Aparecida (sexta-feira)
2 de novembro - Finados (sexta-feira)
15 de novembro - Proclamação da República (quarta-feira)
8 de dezembro - Nossa Senhora da Conceição (feriado em Salvador, sábado)
25 de dezembro - Natal (terça-feira)
Datas devem dar baque de meio bilhão no comércio, mas há quem lucre
Os comerciantes da Bahia terão que ‘se
virar nos 30’ depois da projeção de que em 2018 o faturamento será R$
465 milhões menor para a categoria por conta da quantidade de feriadões.
Estratégias já estão sendo desenvolvidas para aumentar as vendas – e o
consumidor é quem pode acabar sendo beneficiado com um ano farto de
promoções.
A projeção é da Federação do
Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia
(Fecomércio-BA). De acordo com a entidade, a quantidade de feriadões de
2018 influenciará negativamente no faturamento de comerciantes
varejistas do estado, que deixarão de ganhar quase meio bilhão durante
os períodos. O valor corresponde a 0,7% de todo o varejo da Bahia.
Ao todo, serão 15 dias de feriados “oficiais” este ano – e 9 possíveis feriadões, contra apenas quatro feriadões em 2017.
Para
reagir ao número, as lojas já planejam ações para atrair o consumidor
e, consequentemente, aumentar as vendas. Três estratégias já estão sendo
utilizadas para estimular as lojas de rua: mais promoções, estímulo
para que lojas abram durante os 16 dias de feriado, além da manutenção
do auxílio de R$ 42,92 para lojistas que trabalharem nesses dias. A
orientação é do Sindicato dos Lojistas (Sindlojas), que acredita que com
as ações o impacto pode ser menor.
“Não
sabemos exatamente em quanto por cento a implantação dessa estratégia
irá impactar, mas acredito que, com essas ações, a tendência é que o
número não seja tão acentuado assim”, disse Paulo Motta, presidente do
Sindlojas.
Dias a menos
A
Fecomércio-BA explica que a expectativa de crescimento nas vendas do
varejo é o motivo pelo qual as perdas irão aumentar este ano. “Cada dia
com redução do ritmo de vendas prejudica o comércio, sobretudo neste
momento de saída da crise”, diz o presidente da instituição, Carlos
Andrade. Ele explica ainda que os meses costumam ter entre 24 e 25 dias
úteis e que, com dois dias de feriado mensais, são 10% a menos no
faturamento do comércio. “A saída é se reinventar a cada dia. Quem não
se reinventar não sobrevive”, disse.
Andrade
explica que a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e
Turismo (CNC) atua nas câmaras e assembleias legislativas para tentar
reduzir o número de feriados no ano. “Um país pobre precisa dar emprego.
Nós não queremos dar apenas o emprego, e sim o trabalho”, disse.
Setores
O
setor que deve apresentar maior perda potencial, em termos absolutos, é
o supermercadista, com R$ 262 milhões, R$ 12 milhões a mais que em
2017. Na sequência vêm as lojas de vestuário, tecidos e calçados, com R$
70,6 milhões, praticamente o mesmo montante do ano de 2017.
As
‘outras atividades’ compostas por comércio de livros, jornais e
revistas, equipamento para escritório, informática e comunicação,
combustível e lubrificantes, dentre outros artigos de uso pessoal, devem
registrar perda de R$ 57 milhões, 1,5% superior ao valor do ano
passado. As farmácias e perfumarias devem deixar de faturar R$ 53
milhões, um aumento de 10% na comparação anual.
Por
fim, as lojas de móveis e decoração devem registrar a maior variação
entre 2017 e 2018, de 13,5%. O setor deve deixar de faturar R$ 22,5
milhões, a menor quantia entre as atividades analisadas.
A
orientação para associados é a realização de promoções nas lojas.
Descontos, saldões e bonificações são algumas das estratégias sugeridas
pela Federação. “Além de treinamentos para funcionários. Eles devem
estar preparados para tratar muito bem o cliente a qualquer momento”,
disse.
O economista
Waldemar Hazoff conta que o varejo sofre nos feriados por conta dos
deslocamentos realizados pelos consumidores. “Alguns locais sofrem
prejuízos e outros recebem mais pessoas. O dinheiro vai para algum
lugar. Mas o varejo sofre quando você pensa em cada empresário. A venda
de refeições, por exemplo, pode diminuir de 20% a 50% e isso pode deixar
de ser um ‘deixar de ganhar’ e representar até mesmo um prejuízo para o
comerciante”, explicou.
Para
o varejo, a condição é pior, de acordo com Hazoff, porque existem
despesas fixas que, por conta do faturamento pequeno, acabam
comprometendo os ganhos. “O varejo tem o aluguel, tem a mão de obra
cara, tem luz, água. Diversos custos fixos que acabam comprometendo o
faturamento no final do mês”, disse. De acordo com ele, micro e pequenos
empresários são os mais impactados por não terem “gordura” para gastar.
Prejuízo maior e Copa
A
pesquisa realizada pela Fecomércio não levou em consideração os dias da
Copa do Mundo nem os das eleições, que serão realizadas neste ano.
Dessa forma, o prejuízo para o varejo baiano pode ser ainda maior.
“Alguns
jogos do Brasil na Copa do Mundo ocorrerão em dias úteis, mas também
não foi levado em consideração no estudo porque há políticas diferentes
entre as empresas para esses dias”, diz a nota da Fecomércio.
Caso
a Seleção Brasileira vá para a final da Copa do Mundo, cinco dias de
pontos facultativos poderão ser adicionados ao calendário de feriados,
caso os lojistas decidam fechar e liberar os funcionários.
Tem quem lucre com os feriados
Ao
contrário da retração que as lojas de rua esperam durante os feriados,
os shoppings da Bahia não estimam um encolhimento nas vendas nesses
períodos. É o que conta o presidente da Associação Brasileira de
Shopping Centers (Abrasce), Edson Piaggio.
“Durante
o feriado, as pessoas vão aos shoppings. Além das pessoas que se
deslocam do interior para a capital com destino aos shoppings”, conta.
De
acordo com Piaggio, o shopping em Salvador é o terceiro destino do
cidadão soteropolitano. Em locais sem praia, como São Paulo, chega a ser
primeiro ou segundo, conta ele. Mesmo sem a perspectiva de retração, o
presidente disse que as lojas podem fazer, individualmente, promoções em
meses que o faturamento estiver pequeno. Os empresários de combustíveis
também não se preocupam tanto com os feriados.
O
presidente do Sindicato do Comércio de Combustíveis, Energias
Alternativas e Lojas de Conveniências do Estado da Bahia
(Sindicombustíveis), José Augusto Costa, conta que o prejuízo pode até
vir para os donos de postos da capital, mas que os das estradas acabam
ganhando. “Imagine o volume de vendas que os postos do Litoral Norte e
da BR-324 ganham durante esse período. Alguns perdem, mas outros ganham.
E essas viagens de carro acabam movimentando os postos do interior do
estado”, disse o presidente, que afirma que 2018 é um ano de retomada de
crescimento e espera um aumento nas vendas superior ao alcançado em
2015.
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