OAB decide pedir o impeachment de Michel Temer após delação da JBS
21/05/17 08:19
OAB decide pedir o impeachment de Michel Temer após delação da JBS

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) decidiu na noite
deste sábado, em votação, pedir o impeachment de Michel Temer. A decisão
vem dias depois que a delação dos donos da JBS, Joesley e Wesley
Batista, veio a público e incluiu o presidente no esquema de propinas e
influência de empresários em ações do governo. Por 25 votos a um, os
conselheiros federais entenderam que as condutas do chefe de Estado
descritas na delação podem configurar crime de responsabilidade.
Após seis horas de discussão, apenas o Amapá votou contra o pedido de impedimento. E a bancada do Acre estava ausente.
A
OAB, que deve protocolar o pedido de impeachment nos próximos dias,
aponta como indício de crime de responsabilidade o fato de Temer ter
ouvido de Joesley que estava comprando juízes e um procurador da
República e não ter comunicado às autoridades. Ao contrário, o
presidente assente com um "ótimo, ótimo" nas gravações feitas pelo
empresário.
Nesse
momento, ele teria agido "de modo incompatível com a dignidade, a honra
e o decoro do cargo", conduta prevista na lei que define os crimes de
responsabilidade de presidentes e ministros.
Os
conselheiros da entidade ressaltaram que Temer não negou, nos dois
pronunciamentos que fez, o trecho do diálogo que eles consideram
grave.Por isso mesmo, segundo os membros da OAB, mesmo que o áudio venha
a ser questionado por peritos ou a delação anulada, esse ponto já foi
"confessado" por Temer, que afirmou, inclusive, que não acreditou em
Joesley porque ele é um conhecido "fanfarrão".
- Não
interessa se não era verdade, porque ele é presidente da República e
tinha que ter agido. Dessa forma, ficamos todos mais seguros nessa
decisão que estamos encaminhado - Adriana Coutinho, conselheira federal
de Pernambuco.
As circunstâncias do encontro de Temer
com Joesley, no fim da noite e fora da agenda oficial, quando o
empresário o grampeou, também foram criticadas pela OAB:
-
Foi uma conversa nada republicana, traçada na calada da noite, sobre um
dos maiores esquemas de corrupção, por alguém que é um
constitucionalista. Quem conhece o Direito não pode agir assim - afirmou
Ricardo Bacelar, conselheiro do Ceará.
Na avaliação
dos conselheiros, também pesa contra Temer ter prometido atender pleitos
de Joesley, como indicação no Cade e outras questões relacionadas ao
Ministério da Fazenda. Eles não consideraram, entre os indícios de
cometimento de crime, o suposto aval de Temer a pagamentos para calar o
ex-deputado Eduardo Cunha, que está preso, ao contrário do entendimento
da Procuradoria-Geral da República.
Já foram
protocolados ao menos oito pedidos de impeachment contra Temer após as
revelações das delações da JBS. A solicitação vinda da OAB, porém, tem
um peso diferente. Maior instituição civil no país, a entidade tem mais
de um milhão de inscritos e acaba pautando as discussões pela
representatividade que tem.
Felipe Santa Cruz, da OAB
do Rio de Janeiro, afirmou que votava pelo impeachment sem "nenhuma
satisfação". Ele lamentou que metade dos presidentes eleitos desde a
redemocratização não terminou o mandato no Brasil e defendeu uma reforma
política:
- Teremos o terceiro presidente desde a
redemocratização a não terminar o mandato, ou seja, 50%. Demonstra que
esse sistema apodreceu
Nenhum comentário: