Prefeito que só sabe assinar o nome aplicou 37% do orçamento no ensino
Prefeito que só sabe assinar o nome aplicou 37% do orçamento no ensino.
07/11/2016 11h56
Pela lei, os analfabetos não podem se
eleger. Silva pôde tornar-se político por saber copiar palavras e
assinar o nome, o que bastou para a Justiça Eleitoral.
Antônio Ramos da Silva, de 69 anos, foi prefeito, presidente da câmara
municipal e acaba de se reeleger vereador de Quixaba, cidade do sertão
pernambucano com 7 mil habitantes. Ele não esconde: é analfabeto. Pela
lei, os analfabetos não podem se eleger. Silva pôde tornar-se político
por saber copiar palavras e assinar o nome, o que bastou para a Justiça
Eleitoral. Ele sempre teve assessores de confiança para ajudar na
leitura dos documentos. Para Silva, os analfabetos deveriam ter o
direito de ser votados. "Tem muito doutor por aí que não tem nem a
metade da minha honestidade", disse. Silva se elegeu prefeito em 1992.
Até então, a cidade só tinha escolas caindo aos pedaços e professoras
sem diploma. Tudo mudou. De acordo com a Agência Senado, a educação
chegou a receber 37% do orçamento municipal, acima do piso
constitucional de 25%. "Fiz tanto pela educação porque sempre senti na
pele o quanto ela faz falta", afirmou.
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