Cerca de 60 armas foram vendidas ilegalmente através de loja em Feira de Santana, diz PF
08/11/2016 11h30
O objetivo da operação foi desarticular uma organização criminosa envolvida com o comércio ilegal de armas de fogo na Bahia
Foto: Ed Santos/Acorda Cidade | Delegado Marcelo Siqueira
Operação da Polícia Federal combate venda ilegal de armas na Bahia
Rachel Pinto
A Polícia Federal (PF), através da Operação Hefetus, cumpriu na manhã
desta terça-feira (8), sete mandados de busca e apreensão em Feira de
Santana, Serrinha e Salvador, com o objetivo de desarticular uma
organização criminosa envolvida com o comércio ilegal de armas de fogo
na Bahia.
Cerca de 40 policiais federais estão envolvidos na operação e, segundo o
delegado da PF, Marcelo Siqueira, as investigações estão se
desenrolando há cerca de seis meses. O controle interno da PF detectou
algumas operações ilegais, inclusive com a participação de um policial
federal.
“Identificamos um esquema de venda ilegal de armas no nosso controle
interno. Infelizmente e inclusive com a participação de um servidor
nosso da Polícia Federal", destacou.
O delegado explicou que para adquirir uma arma de fogo é necessário
preencher alguns requisitos: ser maior de 25 anos, ter residência fixa,
não ter antecedentes criminais e declarar a efetiva necessidade de
portar uma arma de fogo. Além disso, a pessoa deve passar por testes
práticos e psicológicos.
A organização criminosa, que vendia ilegalmente os artefatos, se
infiltrou na PF, cooptou alguns instrutores de tiro e eles se envolviam
em todas as fases do processo administrativo para a aquisição de arma de
fogo.
“É um misto de facilitações de várias esferas. A organização contava
com loja, uma empresa regularmente sediada na cidade de Feira de
Santana, que vendia as armas de fogo, instrutores de tiro, despachantes e
servidores públicos que incluíam as armas no sistema da Polícia Federal
a fim de ‘esquentar’ essas armas, caso fosse consultada por algum
policial na rua”, afirmou Marcelo Siqueira.
Foto: Ed Santos/Acorda Cidade
A partir da investigação, a PF estima que cerca de 60 armas ilegais
foram vendidas. O delegado acredita que a quadrilha vinha atuando há
mais tempo e as investigações prosseguem com o intuito de identificar
todas as armas que foram vendidas ilegalmente.
“Durante as investigações já foram recuperadas algumas armas de fogo.
Já estão apreendidas no bojo do inquérito policial que deu origem à
investigação. Hoje na verdade não tivemos prisão. Tivemos o cumprimento
de algumas medidas cautelares diversas da prisão, afastamento dos
servidores públicos e fechamento da loja. Mas, a prisão não foi
decretada pelo poder judiciário”, acrescentou.
Marcelo Siqueira disse que os envolvidos na organização criminosa podem
responder por uma gama de crimes. São eles: integração em organização
criminosa, inserção de dados falsos em sistemas informatizados,
falsidade ideológica, comércio ilegal de arma de fogo e posse irregular
de arma de fogo. A soma da pena de todos esses crimes podem chegar até
30 anos de prisão.
Foto: Ed Santos/Acorda Cidade
As investigações
A atuação de uma loja de armas de fogo deu início às investigações. O
delegado Marcelo Siqueira disse que as investigações prosseguem e não se
encerraram com a deflagração da operação.
Ele explicou que a venda de armas de fogo só acontece mediante
autorização da PF e ficou constatado que a loja envolvida na organização
criminosa vendia armas regulares e concomitante a isso também vendia
armas irregulares sem a autorização da PF.
Sobre a participação do instrutor de tiro, ele destacou que era esta pessoa quem falsificava os testes psicológicos e práticos.
“Para adquirir uma arma de fogo é preciso se submeter a testes
psicológicos e práticos. As investigações demonstram que há indícios de
que o instrutor falsificava laudos de capacidade técnica de tiro
exatamente para subsidiar os processos irregulares dessa loja de armas
de fogo”, revelou. Para o delegado, a forma de atuação da organização
criminosa é gravíssima.
“Eu acho que são fatos gravíssimos. São armas de fogo que estão indo
para a rua através de pessoas que não têm capacidade de manusear esses
tipos de artefatos. E o mais grave é que mostra que a quadrilha se
enraizou no poder público e cooptou inclusive servidores públicos. A
Polícia Federal tem que dar o exemplo e cortar na própria carne. Punir
eventuais servidores que estão colaborando com o crime”, completou.
Até o momento, ficou constatado que um policial federal que trabalhava
no setor de registro e porte de arma de fogo em Salvador tem
envolvimento com a organização criminosa. Além dele, há também a
participação de um guarda municipal e de um policial militar. Todos os
servidores envolvidos serão afastados da função pública.
O delegado informou ainda que as armas vendidas eram pistolas calibre
ponto 380 do modelo PT 838. No mercado elas custam cerca de R$ 3.600,
mas há indícios de que compradores chegavam a pagar cerca de 15 mil
reais por cada arma de fogo. Com informações do repórter Ed Santos do Acorda Cidade.
Polícia:Cerca de 60 armas foram vendidas ilegalmente através de loja em Feira de Santana, diz PF
Reviewed by ADSA - Associação Desportiva e Social de Adustina
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