Whatsapp – e aí?

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Whatsapp – e aí?

Por Eduardo Athayde / Correio*
Quando Jean Koum, nascido em 1976 na cidade de Kiev, capital da Ucrânia, mudou-se com sua mãe para Mountain View, California, em 92, a família pobre conseguiu um pequeno apartamento de dois quartos através de um programa de apoio social. Para manterem-se, a mãe trabalhava como babá enquanto ele fazia limpeza em supermercados. Em 2009, Koum fundou o Whatsapp sem imaginar que, cinco anos depois, estaria na lista da famosa revista Forbes 2014 como número 62 entre os americanos mais ricos do país.
O nome whatsapp vem de um trocadilho com a expressão em inglês “what´s up?”, usada na gíria para perguntar “e aí?”, “tá fazendo o quê?”.
Comprado pelo Facebook sem nunca ter feito propaganda, é o aplicativo de mensagens mais popular do mundo, com uma base global que já ultrapassa os 900 milhões de usuários e 30 bilhões de mensagens diárias. O zap, como é conhecido no Brasil, tronou-se uma ferramenta prazerosa de lazer, trabalho e reuniões virtuais. Governadores, prefeitos e empresários comandam suas equipes pelo whatsapp.
Campeão global de mensagens, o zap, com avanços tecnológicos, invadiu o ambiente lucrativo de transmissão de voz por dados, dominado pelas operadoras de telefonia, permitindo aos zapeiros falarem gratuitamente entre si em qualquer lugar do mundo. Democratizou a comunicação gratuita por voz dando um cheque mate global nos sistemas de cobrança das operadoras e quebrando o faturamento confortável. Sinal dos tempos. As telefônicas perderam, nessa etapa, a corrida internacional da inovação.
Com quase 1 bilhão de usuários no mundo tem apenas 55 empregados e, desse total, 32 são engenheiros, ou seja, 1  engenheiro para cada 28 milhões de usuários. O zap usa apenas 1,5 engenheiro para atender aos mais de 45 milhões de zapeiros brasileiros, uma das maiores e mais crescentes comunidades  zap do mundo. Todos nós, zapeiros brasileiros, estamos nas mãos de um único engenheiro digital.
O argumento da telefonia de que o zap não paga impostos é desmontado pela velocidade com que ajuda a movimentar a economia. Aumentando a atividade econômica, gera mais impostos. Um exemplo comum serve para reflexão. Quando um grupo zap é convidado para reunião em um bar está pagando 38% de imposto pela água – chopp 62%, cerveja 56%, caipirinha 77%, camarão 33%, calça jeans 39%, catchup 41%. Quantos zap grupos marcam reuniões em bares durante a semana? A aceleração gerada por essas novas formas de movimentar a economia ainda não é medida. A econometria da sustentabilidade acolhe esta visão para entender para onde caminha a humanidade – seus benefícios e desperdícios.
A aceleração não para aí, as cargas das minibaterias dos celulares, criadas há pouco tempo para durar muito tempo, já não dão conta da demanda de energia exigida pelo crescimento vertiginoso do uso dos smart phones e os lançamentos contínuos de novos aplicativos. Para enfrentar essas novas demandas, capas de celulares com carregadores movidos a vento, com miniturbinas eólicas, e com células fotovoltaicas, movidas a energia solar, estão no mercado.
Os criadores e os investidores do whatsapp têm consciência que, na corrida internacional da inovação, seu sucesso não deve durar muito tempo e já investem nos concorrentes que inseminam os úteros do Silicon Valley, na área de influência econômica da Baía de São Francisco, Califórnia. Influenciado pelos bilhões de dólares de investimentos na geração de conhecimento nas universidades top como Berkeley, Stanford e San Francisco, concentra o maior nível de inovação por m² do mundo.
Abaixo do Equador,  a área de influência econômica da Baía de Todos os Santos, sede da Amazônia Azul, colonizada pelos portugueses durante séculos, e industrializada no século passado – onde moram milhares de Jean Koums, zapeiros pobres – foi colonizada em menos de cinco anos pelo zap, mostrando como estamos a um “click” da tecnologia e de fundos de investimentos internacionais. Continuar lendo (…)

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