Brasil: Governo Federal já cortou quase 800 mil famílias do Bolsa-Família
Os novos retirantes – Desde maio, o agricultor Osmar de Oliveira não
recebe mais os 309 reais a que tinha direito pelo Bolsa Família. A moto
estacionada na frente da casa, ou o fato de sua mãe, que mora no mesmo
terreno, receber aposentadoria do INSS, pode ter sido o motivo da
suspensão do pagamento, desconfia ele. Agora, sem dinheiro para a carne e
a gasolina, Oliveira estuda seguir a trilha que conterrâneos
percorreram décadas atrás e deixar a mulher, Jailma, e os filhos,
Beatriz e Ismael, para buscar emprego em São Paulo.
Sem anúncio nem alarde, o governo federal começou a passar a tesoura
nos programas sociais. O Bolsa Família, carro-chefe da administração
petista, sofreu neste ano o mais profundo corte desde que foi criado, há
onze anos. Apenas no primeiro semestre de 2015, 782.313 famílias
deixaram de receber o benefício.
Para diminuir os custos do programa sem admitir sua redução, o
governo passou a promover um pente-fino silencioso entre os cadastrados.
Desde maio, vem cruzando seus dados com informações do INSS e do
Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), por exemplo. O objetivo é
identificar quem possui bens incompatíveis com o teto de renda permitido
aos participantes do programa (até 154 reais por membro da família, o
que torna difícil a compra de um carro, por exemplo) ou está acumulando
benefícios indevidamente. Os que já recebem a aposentadoria rural de um
salário mínimo não podem ganhar Bolsa Família. Também estão impedidos de
integrar o programa pescadores que recebem o seguro-defeso - pago
durante o período de procriação dos peixes. Esse veto surgiu de uma
portaria criada pelo governo federal em março deste ano. Desde então, em
cidades do Nordeste que vivem da pesca, como Saubara, na Bahia, a queda
no número de beneficiários do Bolsa Família foi de quase 70%.
Por: Pieter Zalis, do semiárido do Nordeste / Veja.

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